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Artes Cênicas


Mostra de Artes Cênicas da 12ª Bienal da UNE

Contra-hegemonia em Cena
A UNE conta o Arena

A 12ª Bienal da UNE convida os estudantes de cada canto do Brasil a pensar as artes cênicas e a contemporaneidade a partir da perspectiva do momento dramático que vivemos hoje no mundo, ressignificando o conceito de presença, tão importante para o acontecimento cênico. O tempo volta a ser uma questão neste triste capítulo da história distópica que vive nosso planeta, a corrida pela vida, contra o ódio, contra a intolerância. Tempo regresso, reflexo do descaso desumanizado de um governo genocida.
Torna-se comum a inquietação em relação ao sentido do fazer artístico neste período. Perguntamos como vencer o desafio de dialogar através da arte com parte da população que se comove com os propagandistas do ódio? É sobre essa capacidade da classe dominante de projetar a sua visão de mundo no imaginário dos dominados, como se fosse deles, transformando interesses particulares de uma classe em interesse geral que chamamos de hegemonia. A contra-hegemonia, por sua vez, é a capacidade da classe dominada de dar a direção moral, política e cultural para si. E a arte é um desses vetores de poder, tão necessária no agora. 
A mostra de artes cênicas resgata nesta edição os movimentos culturais que fizeram surgir no Brasil uma perspectiva da renovação da arte no processo de descolonização e contra-hegemonia. Com a importância de olhar para a produção nacional, de trazer a cultura brasileira em foco, a semana de arte moderna de 1922 é um importante marco, que abrimos no festival as comemorações do seu centenário. Muitos foram os movimentos que sofreram influências do movimento modernista no Brasil, e como parte imprescindível da continuidade dessa história vamos homenagear o Teatro Arena, que fundado nos anos 1950, torna-se o mais ativo disseminador da dramaturgia nacional que domina os palcos nos anos 1960, aglutinando expressivo contingente de artistas comprometidos com o teatro político e social, e renovando esteticamente a cena teatral no país.
A história do Arena é um marco na luta por democracia e justiça, resgatamos essa memória estética transgressora de um outro tempo que hoje está perigosamente próximo. O legado do Arena é parte do presente, de ”Eles não usam black-tie” do Guarniere à “Eles não usam tênis naique” da Cia Marginal do Rio de Janeiro. Do Arena que construiu as fagulhas ideológicas para a criação da “A mais-valia vai acabar, seu Edgar”, do CPC da UNE com o Vianinha. O Arena que além de um grupo foi um espaço cênico que abriu suas portas na clandestinidade para a resistência à ditadura militar. O Arena de Augusto Boal que iniciou suas primeiras experimentações para formulação da teoria do Teatro do Oprimido. Esse mesmo ano de 2021, que reivindicamos o Arena, Augusto Boal estaria completando seus 90 anos.
Boal que pensou o teatro como instrumento de transformação social e como meio de traduzir para a cena a realidade social de um país, democratizando o palco e conduzindo o povo para ser protagonista da sua própria narrativa, além de contribuir para a criação de teatro genuinamente brasileiro e moderno. Como deixa deste grande organizador da arte trazemos nesta mostra algo vivo do seu legado, a Brigada de teatro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que iniciado por Boal, chega aos seus 20 anos de atuação.
Em um ano que perdura a pandemia do coronavírus que nos isola socialmente não podemos deixar a arte sucumbir ao fim dos tempos. Portas fecham, mas janelas se abrem. As artes cênicas se reinventam para dar respostas ao novo momento histórico, não mais na presença física dos encontros, mas nesta Bienal pelas telas de um Brasil futuro, no qual nascerá dos escombros e da ressaca de um país: o novo! E inspirados da Arte Moderna ao Teatro de Arena forjar modernidades novas que coloque o povo no centro das decisões.


Rosa Amorim, Coordenadora da Mostra de Artes Cênicas da 12 Bienal da UNE 

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Artes Visuais


Mostra de Artes Visuais da 12ª Bienal da UNE
Urbanografia do fim do mundo
“Toda obra de arte é filha de seu tempo e, muitas vezes, mãe dos nossos sentimentos.”
Wassily Kandinsky


                      2020, o ano em que o mundo entrou em processo de cataclisma. Já são 10 meses que vivenciamos enredos que nem Camus seria capaz de prever através de telas, reproduções, janelas e varandas. O mundo que nossa geração conhece ganhou molduras que jamais poderíamos imaginar; nosso cotidiano se restringiu aos nossos espaços particulares e passamos a rediscutir os limites dos espaços públicos. Fomos forçados, de dentro das nossas casas e nos comunicando por ondas de rádio decodificadas, a entrar com os dois pés no século XXI.

                      Vivemos a ruptura da realidade com a distopia. São transformações constantes no nosso cotidiano, com a tecnologia cada vez mais inserida, que tem mudado a nossa forma de sociabilidade e interação social, peças fundamentais do motor da produção cultural. A integração do humano -e da humanidade- que já se distanciava das ruas como palco de manifestação cultural, de encruzilhada de histórias, de espaço de convivência, vivência e troca, está, mais uma vez, em processo de completa metamorfose. Com a arte urbana não tem sido diferente. A linguagem das ruas que transformam o cotidiano em arte vem acompanhando as transformações sociais. Projeções, mapping, manifestações em formato de lambes, colagens e diversas formas de mosaicos que se tornam potência de expressão popular. 

                       É a urbanografia a linguagem do fim do mundo: os códigos, signos e significados da arte urbano cotidianamente decifrados por todos os indivíduos que vivem a cidade e o espaço público. A arte como produção de memória e marcadores territoriais que promovem o encontro de ideias e as inquietações sem que possamos escolher, a linguagem do fim do mundo -que também é a do começo dos tempos- não pede licença, a urbanografia vai até onde nós estamos. Hoje, nós estamos na Bienal dos Estudantes!


Rebeca Belchior, Coordenadora da Mostra de Artes Visuais da 12ª Bienal da UNE
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Audiovisual


Mostra de Audiovisual da 12ª BIENAL DA UNE
Os filmes foram feitos para serem vistos

                     É certo que a semana de 22 - que aglutinou artistas e instaurou o Modernismo no Brasil - deu um pontapé a um período de enorme relevância da arte e da cultura brasileira. A mostra de audiovisual da 12ª Bienal da UNE dialoga com as propostas criativas que apontam para a transformação e independência cultural do nosso país, sentimentos modernistas que completarão cem anos de história e de desdobramentos. 

                      A experiência do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE na década de 50 do século passado nos localizava na disputa da produção do cinema e do audiovisual brasileiro, o filme Cinco Vezes Favela (do CPC) revela essa capacidade dos estudantes artistas de se apropriarem enquanto movimento social da linguagem do cinema, sendo inclusive o filme que aponta perspectivas para a consolidação do Cinema Novo. Mais atualmente as experiências de mostras nas bienais, dos cineclubes CINE CUCA e CUCA metragem, da TV CUCA e do GRAVE - Circuito do Audiovisual, revelam não apenas a atenção à produção de conteúdo, mas também à circulação e a democratização. 

                       Atualmente, na contramão da construção realizada pelo Movimento Estudantil a partir do CUCA da UNE, o governo de Jair Bolsonaro apresenta um projeto de censura e desmonte da Ancine e de um dos maiores acervos do cinema brasileiro no mundo, a cinemateca, que pede socorro pelo estrangulamento financeiro e abandono administrativo. Bolsonaro baseia-se em ideias de que as produções da Ancine são contra a “moral”, a “família” e que fazem apologia ao “comunismo”, tendo ainda vetado editais importantes que tinham em suas discussões centrais, por exemplo, sexualidade, raça, meio ambiente e religião. Acentua-se um processo de desidratação iniciado no governo anterior e no ciclo do golpe de 2016. 

                        Se o modernismo instaurou uma “nova realidade” onde a pesquisa estética era elemento central a partir da inteligência criativa brasileira e de uma consciência criadora progressista, é na arte-denúncia que esses elementos mais se relacionam. Se a arte-denúncia tem sido usada à exaustão, é porque o que não é dito está berrando! “Se for, vá na paz”! 

                        Na ficção que Kleber Mendonça Filho cria você tem um acordar sobre coisas que não estão explícitas, ele é signo do que o Brasil vem produzindo e de um olhar para a cultura nacional. Graci Guarani - cineasta e educadora do Audiovisual, atua na Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (APIB) - representa muita resistência e nos revela um foco que não é novo, mas que se renova ocupando espaço na educação cultural brasileira - através da sétima arte.

                       Além de nomes potentes como esses, surge também o audiovisual experimental digital, que vem ocupando espaço nas redes sociais com um novo formato vertical que permite uma produção adaptada para redes - a exemplo o tiktok, o IGTV e o reels - que democratiza ainda mais a distribuição, divulgação e produção de conteúdos por pessoas comuns.

                      O audiovisual é feito para ser visto!
Somos adeptos da gambiologia! A gambiarra que fazemos nas nossas produções é a sintetização de uma maneira antropófaga de lidar com os materiais que nos cercam. Se reinventar e usar o que temos para fazer o novo faz parte da cultura brasileira e do potencial criativo do nosso povo.


Victor Rinaldi, Coordenador da Mostra de Audiovisual da 12ª Bienal da UNE. 
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Literatura


Mostra de Literatura da 12ª Bienal da UNE
A Humanização Literária

Do Marginal ao Erudito


                 Vivemos na era da construção de novos hábitos de consumo cultural, vemos hoje que a versatilidade literária pode ser encontrada na palma da mão e a Mostra de Literatura da 12ª Bienal da UNE abraça o desafio de buscar compreender quais são - e onde estão - estes novos hábitos de consumo e produção literária brasileira. 

                   O Professor Antonio Candido acreditava que o acesso à leitura era algo central nos direitos da humanidade, e que inclusive, a própria humanização deriva-se de uma leitura socialmente engajada. A leitura é uma necessidade, é um direito, e ao longo dos anos acompanhamos o crescimento de produções literárias fora dos espaços acadêmicos, como uma promessa de democratização do acesso e direito à literatura. Viemos de encontro e queremos que compreendam, que toda forma de identidade cultural brasileira, falada ou escrita, deve ser valorizada, e que as potências da comunicação transversal se expressam na arte do cotidiano, fazendo com que obras como “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus, um retrato da vida na periferia, numa linguagem informal e cotidiana encontre a Academia, o acesso, o direito humano à leitura e a produção literária. Faremos valer a frase da autora: “meu sonho é escrever” e manteremos viva a necessidade colocada por Antonio Candido.

                    A necessidade se fez presente em 1922, na Semana de Arte Moderna o tom satírico preencheu poesias com a crítica a uma tradição pouco ligada à fala, aos gestos e identidades regionais. Entendemos que a construção do idioma brasileiro é a variedade, e que essa ruptura foi quem apresentou uma nova ideia de independência, essa valorizando a identidade e geografia nacional. Com o Poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira, que causou furor e revolta por ser uma crítica direta e corrosiva ao Parnasianismo, traduziu-se a quebra necessária da imitação às tradições européias, abraçamos a nacionalidade e necessidade de uma maior brasilidade em nossas produções artísticas. Bebemos nessa herança a presença da informalidade, do cotidiano e da soberania cultural, fez-se com que a arte abraçasse e encontrasse potência no que antes era desvalorizado simplesmente por ser nosso. “Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto" já diria Racionais MC’s.

                 No quase centenário da semana de arte moderna, vemos que o acesso democratico à literatura e a ideia de humanização parece um sonho efêmero, afinal Jair Bolsonaro e Paulo Guedes com sua proposta de reforma tributária colocam mais uma vez a leitura apenas às elites. Somos oposição, somos aqueles que crêem assim como Antonio Candido, que a sociedade deve ser "vacinada" e transformada pela leitura. E que os livros devem ser sim incluídos como necessidades básicas da humanidade. Se liga agora nessa receita básica pro seu trampo ficar "chave".


Você vai precisar de:

Brasilidade

Pluralidade de Culturas

Independência

Coloquialidade (opcional)

Originalidade

Rende até séculos de porções. 


Modo de preparo:

Se liga Mina, adicione sua brasilidade,

Sua essência, seu território, sua história.

Nos diga que a rua é nossa!


Adicione a variedade de Culturas!

Me diga de onde veio, fale da sua quebrada,

do teu condomínio, do seu apartamento, a sua favela.


Se liga Mano!

Fale da tua Pátria!

Gingue, sambe, rebole, desça até o chão!

Fale de seus rolês, das tuas festas, locais das tuas baladas.

Me abrace e diga que toda nossa voz será coberta,

pela liberdade, pela igualdade e pela pluralidade.  


Aí Mona!

No Slam me apresento, na literatura me encontro, na academia eu resido,

seria nosso o sonho da independência?

Você me acompanha?

Então Viva o Sonho da Democracia

Viva a verdadeira Independência

Vamos Devolver o País aos Brasileiros

E então

E Por fim

Me diga que tudo dará certo, e que o Brasil é afinal brasileiro.

E nos chamaremos de Irmãos!


Marcelo Correia, Coordenador da Mostra de Literatura da 12ª Bienal da UNE 
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Música


Mostra de Música da 12ª Bienal da UNE Brasilidade, a arte de valorizar nossa identidade nacional

Com a fúria da beleza do sol.

A inquietude cultural, social e política de jovens artistas que projetaram ao mundo uma visão única da realidade brasileira, que se tornou chave do que vemos hoje. A crítica aos modelos acadêmicos e europeus, propunha uma nova forma de arte que rompe os modelos estabelecidos e valoriza a nossa identidade. Os ecos da Semana de 1922, reelaborou o cenário artístico brasileiro, trazendo um período de experimentações culturais e possibilidades de novas linguagens, estilos e materiais, com intuito de firmar nossa brasilidade. Das renovações artísticas provindas da Semana de Arte Moderna, existem artistas que marcam o sentimento de um Brasil do povo brasileiro, estabelecendo conexões das suas histórias com as realidades, que rompem as barreiras de espaço e tempo.

Vinda do Planeta Fome, Elza Soares era mais uma voz em meio a milhões, quando em 1953 se apresentou em público pela primeira vez no programa Calouros em Desfile, na Rádio Tupi. Pobre, nascida na favela de Moça Bonita (Vila Vintém), se depara sem apoio de familiar em sua carreira artística, se apresentou escondida com intuito de conseguir dinheiro para salvar o filho doente, que infelizmente não resistiu. Em meio a tristezas e tragédias, surgiu a luz, a Arte. Ao se aventurar pelo mundo artístico, a Deusa Mulher, Elza Soares se transforma em uma artista singular e política, que reflete e conecta o povo brasileiro em cada verso. “O tempo passou e Elza continua com fome; fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais.”

Emicida, escolhido pelo Rap traz consigo uma história que reverbera em cada canto do país, realidade semelhante à de diversos jovens. A conexão pulsante da vida, escancara a desigualdade que vivemos desenvolvendo um estilo artístico único que bebe de diversas fontes. Ao mesmo tempo, expande as linguagens do Rap em diversos espaços, derrubando muros e criando palcos para uma nova geração de artistas. Esses que rompem o tempo, utilizam sua voz para além da arte, mostram uma realidade que se repete como um disco riscado. Artistas reais com histórias reais que constroem um Brasil, meu... seu... NOSSO! Atualmente os mesmos jovens inquietos constroem pontes, palcos e algo novo para nosso país. Junto ao compromisso histórico da Bienal da UNE com a multiplicidade artística, realizando novas conexões sociais, políticas e culturais para uma nova geração artística, a fim de semear novíssimos Emicidas e Elzas. Temos fome e lutaremos pela arte de valorizar nossa identidade nacional com a fúria da beleza do sol.

Flávia Medeiros, Coordenadora da Mostra de Música da 12ª Bienal da UNE
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Projeto de Extesão


Mostra de Projetos de Extensão da 12ª BIENAL DA UNE

Da faculdade não saio,
Daqui ninguém me tira.
E o dia que eu encapotar,
É o meu filho,
Que virá para o meu lugar!

A conjuntura política, social e educacional do nosso país em 2021 é extremamente desafiadora. Existir se tornou símbolo de resistência em todo o país. Os profundos cortes no orçamento e ataques as Universidades e Institutos Federais nos últimos anos, nos reposiciona ao perceber no horizonte de que as portas para o futuro, estão cada dia mais estreitas e sem esperanças.

Ao passo que a gestão política do Governo Bolsonaro é desastrosa para a educação, as universidades e institutos federais comprovaram seu importante e relevante papel para a sociedade. A riqueza contida na diversidade, nas pesquisas, projetos e programas produzidos pela Universidade em favor da coletividade reafirmam nosso sentimento de defesa do nosso maior patrimônio histórico, cultural e da sociedade: a educação.

A mostra de extensão da 12º Bienal da UNE homenageia simbolicamente as Universidades e Institutos Federais que resistem e persistem diante de tantos ataques governamentais para manter aberta as portas do futuro à população brasileira. Essa homenagem é fruto das bandeiras e lutas da entidade em prol de uma educação libertadora, pública, gratuita, plural e de qualidade.

No período pré-ditadura militar, a UNE, através do Centro Popular de Cultura, apresentou a peça-teatral “Auto dos 99%” como instrumento de politizar os estudantes sobre os problemas sofridos pelo Ensino Superior à época e dialogar com a comunidade estudantil sobre a necessidade de se investir em educação.

Assim como em 1962, é hora de revivermos a nossa história, e refletir sobre o papel protagonista desenvolvido pelas nossas Instituições durante todos esses anos, é hora de defender a educação. A extensão é a balbúrdia que traz vida a comunidade acadêmica, portanto, nessa Bienal vamos apresentar aos quatro cantos do país que a educação é o caminho para o futuro e que os sonhos dos estudantes, educadores e da juventude é viver um novo Brasil.

Arthur Mendes, Coordenador da Mostra de Extensão da 12º Bienal da UNE 
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Ciência e Tecnologia


MOSTRA ESTUDANTIL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DA 12ª BIENAL DOS ESTUDANTES. 

Conhecimento é Soberania!
Em meio a pandemia global, a ciência brasileira vem sendo cotidianamente atacada e vilipendiada pelos constantes e violentos cortes orçamentários infligidos pelo governo federal. Neste cenário desolador, o principal alvo dos ataques tem sido as instituições fomentadoras de ciência e tecnologia no país, e consequentemente todos os pesquisadores, nos mais variados campos de conhecimento. Há quem diga: “Ciência é isso, e não aquilo”, “Temos uma arte de alta cultura, e outra de baixa”, “É só uma gripezinha”. Pois bem, esse tipo de assertiva é o oposto do que se propõe na Mostra Estudantil de Ciência, Tecnologia e Inovação da 12ª Bienal dos estudantes. Inspirados pelo sentimento de ruptura dos paradigmas artísticos no Brasil de início do século XX, o evento tem como mote central a Semana de Arte Moderna, ocorrida na cidade de São Paulo em 1922. Buscamos através desta referência destacar o papel do conhecimento produzido no Brasil, por brasileiros. Com a tradicional curadoria da Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG), esta edição da Mostra Científica está aberta para secundaristas, graduandos, graduados e pós-graduandos e terá como temática “Conhecimento é Soberania”. Para que a Mostra possua o caráter mais amplo possível, dividimos as áreas através da seguinte delimitação: Ciência Exatas, Tecnologias e Engenharias; Ciências Biológicas e da Saúde; Educação; Ciências Humanas e Sociais aplicadas; Geociências Agrárias e Ambientais; Linguística, Letras e Artes; Combate à pandemia de Sars-Cov-2. O marco histórico da proximidade de seu centenário, é um dos elementos que traz a importância da Semana de Arte Moderna para a nossa 12ª Bienal dos estudantes. Mas, é preciso analisar este acontecimento histórico com suas características próprias e buscar, no sentimento de ruptura, o foco para as novas transformações que precisam ser feitas no Brasil. Destacamos que apesar do investimento em ciência no Brasil diminuir ano após ano, nós ainda produzimos conhecimento de alto nível. Por isso, homenageamos três institutos de pesquisa que se destacaram no último ano: A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Instituto Butantã pelo inegável esforço, e dispêndio de energia, de muitos pesquisadores e pesquisadoras na batalha contra a Covid-19. Assim como destacamos a importante atuação do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que desempenha papel fundamental no desenvolvimento de tecnologia para o monitoramento aeroespacial, que auxilia nas pesquisas sobre nossas riquezas naturais e na sua proteção. Pautamos, portanto, o lema de que “Conhecimento é Soberania”. Por fim, ressaltamos que quanto mais o Brasil for independente nos diversos campos do conhecimento, mais o nosso país será fortalecido. São os muitos saberes produzidos pelo povo brasileiro que constituem a verdadeira força e riqueza desta nação. Nação soberana é aquela que possui conhecimento de sua diversidade, de sua pluralidade, de sua democracia. Ciência soberana, é aquela que desenvolve o país para todos, e que é feita por e para o povo brasileiro. Arte soberana é aquela livre de toda e qualquer amarra ou pressão, que dirá repressão. 


Rai Campos, Coordenador da Mostra de Ciência e tecnologia da 12ª Bienal da UNE
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Lado C da 12ª BIENAL DA UNE


Brasil, mostra sua cara

Nos 4 cantos a outra face do Brasil


Os acontecimentos motivados pela pandemia nos apresentou um Brasil que persiste indo além das diferenças culturais e singularidades regionais e se une em prol de uma causa comum, como o isolamento social para combater o covid-19. As solícitas mobilizações pela vacina refletem a visão de um povo que ainda tem esperança, e com essa perspectiva, da unidade e perseverança brasileira, que o Lado C se reinventa nesta edição.

O Lado C objetiva ir além dos muros da bienal e proporcionar experiências ímpares que integram a história, projetos e detalhes que transformam o cenário regional popular. Através das telas, por meio de uma construção coletiva no audiovisual em diferentes cantos do Brasil, esta edição exibe mini documentários que apresentam as iniciativas locais que impulsionam o avanço social através da cultura, política, religião e educação.

Motivado por sua atuação popular, orgulhosamente homenageamos Mãe Beth de Oxum, Ialorixá e pernambucana aguerrida, articuladora de uns dos principais pontos de cultura de Olinda, o Coco de Umbigada. Mãe Beth é símbolo de resistência pela sua atuação política no desempenho contra o racismo, preconceito religioso e desenvolvimento de projetos populares, perspectivas importantes para o Lado C.

Nosso país é feito dos braços de um povo que persiste em fazer do amanhã um outro dia. A semana de arte moderna em 1922 revela que os impactos da união por um ideal percorrem gerações, e em 2021 as lutas coletivas fomentam em nosso povo um constante progresso. Das ruas do norte às comunidades do Rio, apresentamos o outro lado do Brasil.



Gabriel Jhonatta, Coordenador da Mostra do Lado C da 12ª Bienal da UNE
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