A trajetória do Festival em nove edições

Diversidade artística e shows apoteóticos: quase 20 anos de Bienal


Em 2017, a UNE completa 80 anos de vida. E a Bienal já se aproxima dos seus 20 anos de existência, desde que a entidade retomou no final da década de 1990 a sua atuação cultural, que foi duramente reprimida pela ditadura militar. O festival marcou o início de um longo projeto de entendimento e investigação sobre a formação do povo brasileiro, com uma rica troca entre artistas já consagrados e estudantes, além da conexão das muitas juventudes do país e a arte independente produzida dentro das universidades.

 

Assim, para dar visibilidade à produção estudantil, em 1999, acontece a 1ª Bienal da UNE, em Salvador (BA), com a participação de 5 mil estudantes. A pluralidade artística de propostas e projetos se confirmou com a participação dos músicos Chico César, Jorge Mautner e de um debate com Mano Brown, do Racionais MC´s.

 

Após essa primeira edição, foi criado o Circuito Universitário de Cultura e Arte, o CUCA da UNE, responsável dali em diante por colaborar na organização de todas as outras edições do festival e  articular espaços físicos nas instituições de ensino por meio de  uma rede de diálogo com os estudantes.

 

Já expandindo sua rede, o CUCA da UNE realiza a 2ª Bienal, desta vez no Rio de Janeiro, com discussões sobre o fomento dessas áreas nas universidades, que de lá para cá tem crescido e sendo mais divulgada. Cresceu também nessa edição de 2001 o público: 8 mil jovens participaram.

 

Todas as atividades levantavam a reflexão do tema “Nossa Cultura em movimento”, instigando uma discussão sobre a variedade de criação e produção no país. As presenças marcantes foram Augusto Boal, Ziraldo, Oscar Niemeyer, O Rappa e Tom Zé.

 

O “Lado B” (espaço para programação não-oficial) e o “Lado C” (visita e interação com as comunidades, projetos e programas do Rio de Janeiro) foram as grandes novidades.

 

A 3ª Bienal, em 2003, volta ao Nordeste, e desembarca em Recife (PE), com o compromisso de ressaltar a identidade nacional brasileira. O tema “Um encontro com a cultura popular” foi burilado por convidados do quilate de Gilberto Gil (na época ministro) e Ariano Suassuna. Foi também momento também de avaliar a postura do novo governo federal, eleito em 2002,  em relação às políticas culturais e  valorização da diversidade. (Assista a parte 1 dessa edição aqui)

Etapas preparatórias foram realizadas em diversos estados, como a 2ª Bienal da UEE-SP e a etapa mineira, da UEE-MG, em conjunto com o Festival Coração de Estudante de Música Universitária, na cidade histórica de Ouro Preto.

 

Em 2005, a 4ª Bienal recebe estudantes de toda a América Latina, com o tema “Soy Loco por ti América”, em São Paulo e paralelamente o XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), discutia “Outra América é Possível”. A junção dos dois eventos provocou uma grande integração entre os povos do continente e suas culturas.

 

Personalidade como o ministro da educação de Cuba, Vecinno Alegrete; Aleida Guevara (médica cubana e filha de Che); Enio Candotti; Mino Carta; Aziz Ab’saber; Nação Zumbi e Serginho Groisman estiveram presentes.

 

A edição seguinte, em 2007, ficou marcada pela celebração dos 70 anos da entidade. O local escolhido para sediar a 5ª Bienal, foi a o “berço” da entidade”: o Rio de Janeiro. Sob as influências dos Orixás, “Brasil-África: um Rio Chamado Atlântico”, as regiões da Lapa e da Cinelândia foram ocupadas pelos estudantes e artistas. As atividades foram realizadas na Fundição Progresso e no Circo Voador, que receberam intelectuais como Alberto da Costa e Silva e Abdias do Nascimento, o escritor angolano Ondjaki; músicos como Martinho da Vila, Lenine, Naná Vasconcelos, Mr. Catra e Beth Carvalho foram as presenças que trocaram energias com o público.

 

Ao fim do encontro, uma imensa passeata cultural, a famosa "Culturata", ocupou e retomou a antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo 132, um marco na luta do estudantil.

 

Já na 6ª Bienal, Salvador é novamente escolhida a sede do encontro. O tema "Raízes do Brasil" levantou a reflexão sobre a formação do povo brasileiro num festival carregado por atividades ao ar livre, incluindo o Forte.

 

As novidade desta edição foi a realização do Conselho Nacional de Entidades de Base, o CONEB da UNE, ampliando o caráter do projeto. Marcelo D2, Alceu Valença, Armandinho e Cordel do Fogo Encantado se apresentaram nesse ano.

 

Na 7ª Bienal, em 2011, realizada ao ar livre no Aterro do Flamengo, os estudantes sambaram durante uma semana, com muita festa e luta no Rio de Janeiro. Com o tema “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”, o grande encontro debateu a força desse ritmo, que é uma manifestação popular brasileira, seu caráter festivo e de resistência em diversos momentos da história nacional. A Bienal teve como madrinha Beth Carvalho e Elza Soares deu as caras em um show memorável na Lapa.

 

A 8ª Bienal tomou as ladeiras de Olinda e homenageou o centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, o Gonzagão. O tema “A volta da Asa Branca” reverenciou o sertão nordestino e os shows de Lenine, Elba Ramalho, Alceu Valença, Silvério Pessoa e Mundo Livre S/A entram para a história nesta edição. Um dos principais artistas do Brasil e do mundo, o xilogravurista J. Borges  foi um dos homenageados e teve uma exposição com obras suas nos dias da mostra.

 

A última edição realizada em 2015, foi regida pelas“ Vozes do Brasil”,que celebrou a  língua nacional com suas raízes, variações, misturas e possibilidades, remetendo à formação do povo brasileiro, sua construção e traduzindo as “brasilidades”  e suas idiossincrasias.

 

Essa  9ª da Bienal foi realizada novamente ao Rio de Janeiro, com maratona de atividades na histórica Fundição Progresso e shows nos Arcos da Lapa. A abertura foi uma grande homenagem a Mário de Andrade e a Semana de Arte Moderna, com a presença de artista como Pascoal da Conceição.